sexta-feira, 18 de abril de 2025

CAMPANHA PELO PLEBISCITO SOBRE A “FUSÃO” DO HUGG. (Lançamento da campanha)

Segue abaixo o material de lançamento da campanha, produzido pelos conselheiros universitários Maristela (fisioterapeuta) e Caruso (farmacêutico). Confira os vários links nele contidos para mais informações.

CAMPANHA PELO PLEBISCITO SOBRE A “FUSÃO” DO HUGG

 

Saudações, trabalhadores! Estamos diante de uma nova batalha! Uma série de falsos argumentos vem ocupando as conversas sobre o que chamam de “Fusão do HUGG com o Hospital dos Servidores (HFSE)”. O que está sendo negociado de fato não é uma fusão, mas a incorporação de um grande hospital da rede federal, o Hospital dos Servidores, a uma empresa, a EBSERH, utilizando-se da Unirio.   

Sejamos claros: até o momento não houve nenhum debate da Reitoria com os trabalhadores.  Após negarem publicamente com veemência, tomamos conhecimento que há mais de um ano, desde antes de dezembro de 2023, a Reitoria vem mantendo tratativas secretas com o governo e reuniões dissimuladas, a portas fechadas e, separadamente, com alguns professores e médicos nos Centros da Saúde da UNIRIO. A questão da ida da estrutura do HUGG para o HFSE só foi colocada no Conselho Universitário (CONSUNI) quando nós, conselheiros, levantamos a proposta do “Plebiscito já!” em 27 de novembro de 2024. Sintomaticamente, a Reitoria se opôs.

Um dos argumentos para que a empresa tome conta do Hospital dos Servidores, é que “o prédio do Gafrée é velho e obsoleto”.  A solução seria migrar para o HFSE. Ora, o HUGG foi inaugurado em 1º de novembro de 1929 e o HFSE em 9 de maio de 1934: 5 anos de diferença!

Não é velhice ter menos de 100 anos: preferimos chamar isso de patrimônio histórico e artístico, que devemos proteger. Precisa ser preservado e restaurado. Não há mistério nisso. A estrutura do HU da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, o Hôtel-Dieu de Paris é de 1877!  Há toda uma ciência de arquitetura e engenharia para lidar com preservação, adaptação e reabilitação de edifícios históricos.

O HUGG também seria “pequeno” e não haveria possibilidade de expansão dos serviços. Contudo, expansão deve e pode ser feita com a construção de uma nova edificação, não o simples abandono de outras. Ou até mesmo com a incorporação de novas unidades, sem a necessidade da participação de uma empresa!

Com a “fusão”, há a possibilidade de que o HUGG se torne mais um edifício abandonado pelo governo na cidade do Rio de Janeiro. Ou talvez, um espaço entregue à prefeitura do Rio, para que o mesmo projeto privatista da esfera municipal se instale na UNIRIO.

Falam de falta de recursos como a causa de muitos problemas no HUGG e em toda a UNIRIO: será que a universidade e a EBSERH, que mal dão conta dos 233 leitos, segundo a UNIRIO, ou 173, segundo a empresa, e na verdade os cerca de 110 leitos, como sabe quem trabalha no hospital, teriam condições de arcar com 450 leitos oficialmente em funcionamento do HFSE? Arcar com um prédio 4 vezes maior do que aquele que não conseguem administrar?  

Alguns argumentam que o plebiscito deveria ser após um “diagnóstico” de como se daria a fusão. Ora, após algo é o que se chama referendo. Para nós, o diagnóstico, ou seja, os pormenores de uma ação, é que devem ser tratados após uma decisão pela fusão, ou seja, após um debate e plebiscito. No entanto, a Reitoria teve a ousadia de seguir com o “diagnóstico”, na forma de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Ministério da Saúde (MS), assinando-o em 1º de novembro de 2024, sem passar pelo CONSUNI (!!!). O que afirmam ser apenas um “diagnóstico” nas audiências públicas já está decidido para o governo e monopólio da mídia. Isso não é ser democrático!

Os servidores do HFSE já organizaram o seu plebiscito e 94,9% disseram um firme “não!” para a “fusão” que certamente criaria um péssimo ambiente de trabalho. Ambiente conflituoso que se somaria ao já existente entre RJU e celetistas da EBSERH e ao entre os celetistas dela e os seus quarterizados administrativos (duas empresas contratadas para administração!!!). Além disso, o provável fechamento de preciosos leitos (atualmente há 18 leitos de CTI no HUGG), fechamento de enfermarias, e a entrada da empresa ( que já funciona mal nos hospitais universitários), na rede federal, produzirá sérios danos à assistência à população. O que precisa ser feito são concursos públicos estatutários!

A justificativa para convencer os mais desatentos, às vezes, parece ser razoável. Tentam ludibriar a comunidade acadêmica, em particular os estudantes e professores, com vários argumentos que invocam a expansão da oferta de ensino. Se não houvesse a mentira, ninguém apoiaria!

Lembremos que a EBSERH é, conforme seu nome indica, de assistência, não de ensino. Uma empresa quer produtividade: bom ensino e cuidado de qualidade é incompatível com os mandamentos da empresa.

A expansão do ensino pode ser feita com convênios com outras instituições e órgãos, como já se dá, via de regra, com a prefeitura e até com o próprio MS, ou hospitais privados se assim desejarem. Não é necessário entregar um grande hospital à EBSRH para isso.

Recordemos: a melhoria e a expansão do ensino e assistência eram a promessa quando do golpe que impôs a EBSERH no HUGG em 2013. De lá para cá, o número de leitos diminuiu e várias enfermarias foram fechadas. Dos 320 leitos que já teve em sua fundação, e dos quase 140 de 15 anos atrás, hoje mal chega aos 110.

Após mais de 10 anos daquelas insidiosas mentiras e promessas de resolver os problemas pelos quais os próprios gestores eram os responsáveis, eles mesmos vêm com mais uma “solução”. O que era solução virou o problema a resolver... com um maior ainda. Notem: é um modus operandi. O enredo da privatização.

Por isso, exigimos a avaliação real do contrato com a EBSERH, que se encerra agora em 2025! A reitoria mantém um contrato há 9 anos sem sequer verificar o seu cumprimento (!).

É evidente que não é uma fusão com o HUGG. Não é a ida do HUGG para o HFSE. A reitoria esconde o verdadeiro interessado: a Empresa/Ministério da Saúde. A reitoria está agindo como um fantoche, um boneco a chancelar este mais novo ataque aos interesses da população e da comunidade universitária de uma Universidade gratuita, pública e de qualidade.

Denunciamos como o mais novo atentado à inteligência, mas que deve ser entendido dentro de um processo maior de fatiamento, terceirização, privatização, entrega, dos serviços de saúde do governo federal e das Universidades Públicas.

NÃO À “FUSÃO”! PLEBISCITO JÁ!

Fora EBSERH! Abaixo a privatização!

Por uma Universidade 100% estatal! Pelo concurso100% estatutário!

Conselheira Maristela G. Andrés, fisioterapeuta. Suplente: R. Caruso, farmacêutico

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