Segue abaixo o material de lançamento da campanha, produzido pelos conselheiros universitários Maristela (fisioterapeuta) e Caruso (farmacêutico). Confira os vários links nele contidos para mais informações.
CAMPANHA PELO PLEBISCITO SOBRE A “FUSÃO” DO HUGG
Saudações,
trabalhadores! Estamos diante de uma nova batalha! Uma série de falsos
argumentos vem ocupando as conversas sobre o que chamam de “Fusão do HUGG com o
Hospital dos Servidores (HFSE)”. O que está sendo negociado de fato não é uma
fusão, mas a incorporação de um grande hospital da rede federal, o Hospital dos
Servidores, a uma empresa, a EBSERH, utilizando-se da Unirio.
Sejamos
claros: até o momento não houve nenhum debate da Reitoria com os
trabalhadores. Após negarem publicamente
com veemência,
tomamos conhecimento que há mais de um ano, desde antes de dezembro de 2023, a Reitoria
vem mantendo tratativas secretas com o governo e reuniões dissimuladas, a
portas fechadas e, separadamente,
com alguns professores e médicos nos Centros da Saúde da UNIRIO. A questão da
ida da estrutura do HUGG para o HFSE só foi colocada no Conselho Universitário
(CONSUNI) quando nós, conselheiros, levantamos a proposta do “Plebiscito já!”
em 27 de novembro de 2024. Sintomaticamente, a Reitoria se opôs.
Um dos
argumentos para que a empresa tome conta do Hospital dos Servidores, é que “o
prédio do Gafrée é velho e obsoleto”. A
solução seria migrar para o HFSE. Ora, o HUGG foi inaugurado em 1º de novembro
de 1929 e o HFSE em 9 de maio de 1934: 5 anos de diferença!
Não é velhice
ter menos de 100 anos: preferimos chamar isso de patrimônio histórico e
artístico, que devemos proteger. Precisa ser preservado e restaurado. Não há
mistério nisso. A estrutura do HU da Faculdade de Medicina da Universidade de
Paris, o Hôtel-Dieu de Paris é de 1877! Há toda uma ciência de arquitetura e engenharia para lidar com
preservação, adaptação e reabilitação de edifícios históricos.
O HUGG também
seria “pequeno” e não haveria possibilidade de expansão dos serviços. Contudo,
expansão deve e pode ser feita com a construção de
uma nova edificação, não o
simples abandono de outras. Ou até mesmo com a incorporação de novas unidades,
sem a necessidade da participação de uma empresa!
Com a “fusão”,
há a possibilidade de que o HUGG se torne mais um edifício abandonado pelo governo na
cidade do Rio de Janeiro. Ou talvez, um espaço entregue à prefeitura do Rio, para
que o mesmo projeto privatista da esfera municipal se instale na UNIRIO.
Falam de falta
de recursos como a causa de muitos problemas no HUGG e em toda a UNIRIO: será
que a universidade e a EBSERH, que mal dão conta dos 233 leitos, segundo
a UNIRIO, ou 173, segundo a empresa, e na verdade os cerca de
110 leitos, como sabe quem trabalha no hospital, teriam condições de arcar com
450 leitos oficialmente em funcionamento do HFSE?
Arcar com um prédio 4 vezes maior do que aquele que não conseguem administrar?
Alguns
argumentam que o plebiscito deveria ser após um “diagnóstico” de como se daria
a fusão. Ora, após algo é o que se chama referendo.
Para nós, o diagnóstico, ou seja, os pormenores de uma ação, é que devem ser
tratados após uma decisão pela fusão,
ou seja, após um debate e plebiscito.
No entanto, a Reitoria teve a ousadia de seguir com o “diagnóstico”, na forma
de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Ministério da Saúde (MS),
assinando-o em 1º de novembro de 2024, sem passar pelo CONSUNI (!!!). O que
afirmam ser apenas um “diagnóstico” nas audiências públicas já está decidido para o governo e monopólio
da mídia. Isso não é ser democrático!
Os servidores
do HFSE já organizaram o seu plebiscito e 94,9% disseram um firme “não!” para a “fusão” que
certamente criaria um péssimo ambiente de trabalho. Ambiente conflituoso que se somaria ao já existente entre RJU e
celetistas da EBSERH e ao entre os celetistas dela e os seus quarterizados
administrativos (duas empresas contratadas para administração!!!). Além disso, o
provável fechamento de preciosos leitos (atualmente há 18 leitos de CTI no HUGG),
fechamento de enfermarias, e a entrada da empresa ( que já funciona mal nos
hospitais universitários), na rede federal, produzirá sérios danos à
assistência à população. O que precisa ser feito são concursos públicos
estatutários!
A
justificativa para convencer os mais desatentos, às vezes, parece ser razoável.
Tentam ludibriar a comunidade acadêmica, em particular os estudantes e
professores, com vários argumentos que invocam a expansão da oferta de ensino.
Se não houvesse a mentira, ninguém apoiaria!
Lembremos que
a EBSERH é, conforme seu nome indica, de assistência, não de ensino. Uma empresa quer produtividade: bom ensino e
cuidado de qualidade é incompatível com os mandamentos da empresa.
A expansão do
ensino pode ser feita com convênios com outras instituições e
órgãos, como já se dá, via de regra, com a prefeitura e até com o próprio MS,
ou hospitais privados se assim desejarem. Não é necessário entregar um grande
hospital à EBSRH para isso.
Recordemos: a
melhoria e a expansão do ensino e assistência eram a promessa quando do golpe
que impôs a EBSERH no HUGG em 2013. De lá para cá, o número de leitos diminuiu
e várias enfermarias foram fechadas. Dos 320 leitos que já teve em sua fundação, e dos quase 140 de 15 anos atrás,
hoje mal chega aos 110.
Após mais de
10 anos daquelas insidiosas mentiras e promessas de resolver os problemas pelos
quais os próprios gestores eram os responsáveis, eles mesmos vêm com mais uma
“solução”. O que era solução virou o problema a resolver... com um maior ainda.
Notem: é um modus operandi. O enredo
da privatização.
Por isso,
exigimos a avaliação real do contrato com a EBSERH, que se encerra agora em
2025! A reitoria mantém um contrato há 9 anos sem sequer verificar o seu
cumprimento (!).
É evidente que
não é uma fusão com o HUGG. Não é a ida do HUGG para o HFSE. A reitoria esconde
o verdadeiro interessado: a Empresa/Ministério da Saúde. A reitoria está agindo
como um fantoche, um boneco a chancelar este mais novo ataque aos interesses da
população e da comunidade universitária de uma Universidade gratuita, pública e
de qualidade.
Denunciamos
como o mais novo atentado à inteligência, mas que deve ser entendido dentro de
um processo maior de fatiamento, terceirização,
privatização, entrega, dos serviços de saúde do governo federal e das
Universidades Públicas.
NÃO À “FUSÃO”! PLEBISCITO JÁ!
Fora
EBSERH! Abaixo a privatização!
Por
uma Universidade 100% estatal! Pelo concurso100% estatutário!
Conselheira Maristela G. Andrés, fisioterapeuta. Suplente: R. Caruso, farmacêutico
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