Podemos saber um pouco da história do HUGG na “PARTE 2: HOSPITAIS E HISTÓRIA”, no texto de Gisele Sanglard, intitulado “O Hospital Gaffrée e Guinle: filantropia, saúde e os ecos do pasteurianismo no Brasil da Primeira República”, In: Amora, Ana & da Gama Rosa Costa, Renato & Galeno, Claudio & Alecrim, Laura. (2022). A modernidade na arquitetura hospitalar: contribuições para sua historiografia. p. 122.
Neste belo estudo, podemos saber que (p. 136-138):
“A Fundação Gaffrée e Guinle foi
inaugurada em 20 de agosto de 1923, por iniciativa de Guilherme Guinle e com o
objetivo de perpetuar a memória de Eduardo Palassin Guinle e Cândido Gaffrée.
Sua missão era possibilitar a política de combate e controle da sífilis e das
doenças venéreas proposta por Eduardo Rabello. Esta política era baseada
principalmente na educação e propaganda higiênicas e no tratamento de doentes
em dispensários e/ou hospitais especializados.
(...)
“Caberia à Fundação Gaffrée e Guinle
construir um hospital e ambulatórios para o tratamento, diagnóstico e
profilaxia da sífilis, em terrenos adquiridos para este fim pela família
Guinle. Todo esse patrimônio deveria ser repassado, posteriormente, para a Fundação.
O aparelhamento e a manutenção do hospital, assim como a instalação dos
ambulatórios, correriam a expensas do governo federal. O hospital recebeu a
designação de Hospital Gaffrée e Guinle, que jamais poderia ser mudada. Ficou
acordado em doze o número de ambulatórios a serem construídos pela Fundação,
dos quais quatro ficariam subordinados às seguintes instituições de saúde:
Santa Casa da Misericórdia, Instituto de Proteção e Assistência à Infância,
Maternidade de Laranjeiras e Hospital Nossa Senhora das Dores. Um quinto
ambulatório foi instalado nas dependências da Casa da Moeda.”
(...)
O projeto do hospital, elaborado para internar 320 pessoas, contava com um prédio principal de quatro pavimentos (o quarto andar era destinado ao solarium), onde localizavamse os diversos serviços e um ambulatório. Nele funcionavam os Serviços de Pronto-Socorro, de Vias Urinárias, de Ginecologia, de Obstetrícia, os Serviços Auxiliares ao Ambulatório do Hospital (laboratório, fisioterapia e raios X), de Sífilis Visceral, de Otorrinolaringologia e Oftalmologia, as salas de cirurgia e o Serviço de Mulheres Contagiantes. No mesmo prédio estavam instaladas as Superintendências dos Serviços Administrativos, dos Serviços de Estatística e de Enfermagem, da Renda da instituição e dos Serviços Sanitários, bem como o anfiteatro, a rouparia, o salão de honra, a biblioteca e o museu. No campus foram projetados pavilhões especiais para abrigar o Instituto de Pesquisa, o Biotério, a capela consagrada à Nossa Senhora da Conceição do Brasil, a residência do diretor, as oficinas de conservação, o dormitório dos empregados e a lavanderia. Do ponto de vista arquitetônico, o projeto do Hospital Gaffrée e Guinle foi considerado como um hospital moderno por uma série de características, que não necessariamente podem ser atribuídas a Porto d’Ave – podendo ser a permanência do projeto original de Hugo Haering. A saber: a disposição das enfermarias, sua implantação no centro urbano, o uso dos elevadores, entre outras características (SANGLARD, 2008; COSTA; SANGLARD, 2004). A opção pelo estilo neo-colonial também pode ser incluída neste rol, uma vez que remete à valorização do elemento genuinamente nacional, bem como à noção de salvação do homem brasileiro, tão necessária para a construção da nação acalentada pelos intelectuais envolvidos no projeto (SANGLARD, 2008).
Crédito da foto: Hospital Gaffrée e Guinle, finalização das obras da fachada voltada para a rua dos Trapicheiros. Arquiteto Porto d’Ave. Foto divulgação [Coleção Porto d´Ave. Acervo Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz] (https://vitruvius.com.br/media/images/magazines/grid_9/49898f2905b0_hospital02.jpg)
(crédito: SANGLARD, G.; COSTA, R. da G. R. Direções e traçados da assistência hospitalar no Rio de Janeiro 1923-1931. História, Ciência, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, V. 11, no . 1, p. 107-141, jan./ abr. 2004.)

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