segunda-feira, 19 de maio de 2025

O fechamento e a tranformação do Hospital da Lagoa em IFF/Fiocruz: um pouco do histórico

 

OBS: Após o histórico, segue a "Carta Aberta dos Servidores do Hospital Federal da Lagoa, ao estado do Rio de Janeiro: Nós sempre estaremos aqui! HFL Fica!" (de 14 de abril de 2025).

Um pouco do histórico.

Como num “quem vai querer?”, a primeira proposta, em 13/6/2023, para o Hospital Federal da Lagoa (HFL) era entregar para o governo estadual. Então, o projeto seria “converter a unidade, que fica na Zona Sul da capital, num instituto de referência para tratar casos de câncer” (veja: aqui e aqui).

Como se o caso do IASERJ na cruz vermelha nunca tivesse existido (veja aqui no nosso blogue), o governo estadual que estadualizar o Hospital da Lagoa era “para torná-lo um grande centro oncológico. E assim desafogar os atendimentos no Inca (Instituto Nacional do Câncer), que está operando acima de sua capacidade”. Como a notícia fez questão de citar, “o futuro Instituto Estadual do Câncer, estima a Secretaria estadual de Saúde, representaria um aporte entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões por ano, que seria arcado pelo estado, apesar da previsão de dificuldades de caixa nos próximos anos. O custo calculado é quase o triplo do atual — R$ 100 milhões, bancado pelo Ministério da Saúde”. Uma promessa absurdamente incongruente com a prática e condição fiscal estadual de contínuo anúncio de falta de verbas... (para um pouco da situação fiscal, veja nessa postagem do nosso blogue aqui)

Depois, ele “desiste” e quem se prontifica para o serviço é a Fiocruz.

Caso Hospital da Lagoa, 2023:

Em 13/06/2023, protestos frentes aos movimentos do governo. “Rede federal faz assembleia urgente nesta quarta (14/6). Abaixo a estadualização do Hospital da Lagoa” (https://sindsprevrj.org/rede-federal-faz-assembleia-urgente-nesta-quarta-14-6-abaixo-a-estadualizacao-do-hospital-da-lagoa/). Lembremos: a estadualização vinha sendo tentada desde 2021. Já em 7/4/2021, protestos eram organizados contra a estadualização (aqui: https://sindsprevrj.org/nesta-quarta-7-4-todos-aos-atos-na-lagoa-e-andarai-contra-a-estadualizacao-por-vacina-ja-e-reintegracao-de-demitidos/).


(Servidores do Hospital da Lagoa durante ato contra a estadualização da unidade, em_2021_(foto Mayara Alves)

Em 14 de junho de 2023 o governador afirma que quer o Hospital da Lagoa (aqui: https://diariodorio.com/claudio-castro-defende-a-estadualizacao-do-hospital-federal-da-lagoa-em-encontro-com-lula/ e aqui: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2023/06/governador-do-rio-claudio-castro-quer-que-o-estado-assuma-a-gestao-do-hospital-federal-da-lagoa.ghtml)

Em 13/4/2024, noticia-se o quem seria o verdadeiro interessado na questão: o “hoje líder do PP na Câmara dos Deputados e ex-secretário estadual de Saúde, Doutor Luizinho, queria transformar [o Hospital da Lagoa] no Instituto Estadual do Câncer” (https://temporealrj.com/hospitais-federais-devem-ser-distribuidos-entre-estado-municipio-universidades-empresas-publicas-e-ate-privadas/).


Carta Aberta dos Servidores do Hospital Federal da Lagoa

ao estado do Rio de Janeiro:

Nós sempre estaremos aqui! HFL Fica!

 


Rio de Janeiro 14 de abril de 2025

Foi com perplexidade que, em 28 de março de 2025, tomamos conhecimento que o Ministério da Saúde (MS) estabeleceu o Acordo de Cooperação Técnica para a transferência do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) para as dependências do Hospital Federal da Lagoa (HFL) e a transferência de nossos pacientes para outros hospitais, através do SISREG e do Sistema Estadual de Regulação (SER).

A decisão foi firmada sem discussão com os servidores, sem transparência e ao arrepio do controle social. Esse cenário sombrio de desmonte do hospital preocupa, pois é uma tragédia anunciada ao elo mais frágil dessa equação: os pacientes.

O HFL é um pilar para a assistência de alta complexidade do SUS no Rio de Janeiro. Realiza quase 8.000 cirurgias e mais de 190.000 atendimentos ambulatoriais anuais. Além de ser responsável pelo atendimento de 60% dos pacientes oncológicos da rede. A extinção de qualquer um de seus serviços de alta complexidade ameaça a continuidade dos tratamentos em curso, tendo em vista que os hospitais da rede pública não têm capacidade de absorver pacientes de alta complexidade. Essa medida aumentará o tempo de espera nas filas de especialidades no SISREG e SER, com a impacto negativo na saúde dos pacientes.

Além disso, o HFL é um importante polo de formação, pois contamos com 26 programas de residência médica e multiprofissional. Portanto, manter o HFL operacional é essencial para garantir assistência qualificada, formação de profissionais e o futuro da saúde pública.

 Somos solidários com luta do IFF por instalações adequadas de atendimento, mas isso não pode ser feito à custa do desmonte do HFL. O Estado Brasileiro tem a responsabilidade de prover acesso à saúde universal e igualitário a todos os cidadãos.

O MS assumirá o risco da descontinuidade dos tratamentos oncológicos e dos pacientes graves que acompanhamos? O MS estará disposto arcar com as consequências da quebra de compromissos históricos com o SUS? O MS enfrentará as consequências daninhas da quebra de confiança com a população do Rio de Janeiro?

O HFL atua com coragem e determinação na proteção da vida dos pacientes do SUS, como fizemos na pandemia de COVID. A nossa tenacidade está sendo posta à prova e ainda estamos aqui para fazer valer nossos valores e nossa História que estão protegidos pela mão altaneira do Redentor que nos protege.

Corpo Clínico do Hospital Federal da Lagoa


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