(Faixa estendida no protesto em 2024, em memória dos 12 anos do abominável crime Foto: Banco de Dados AND)
A alegação para os ataques e o
fatiamento é uma crise de gestão (do próprio governo!) ou incapacidade dos
funcionários (!!!). Mas também afirmam que querem ampliar serviços, que a fila
está grande etc.
Convém lembrar da demolição do Hospital
Central (HC) do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado da Guanabara
(IASERJ), na Praça da Cruz Vermelha, em 2012. Inaugurado em
1932, recém reformado, foi demolido para a... ampliação do INCA, que funcionava
ao lado.
Foi anunciado, em 2008 um acordo, de cessão do prédio para o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre a gerência Lula e o gerente estadual Sérgio Cabral. O HC do Iaserj, por decisão do governo estadual, funcionava “parcialmente desde 2000”. Conforme o termo de cessão, celebrado em 8/7/2008, a finalidade era a instalação do pomposo "Projeto de Expansão e Instalação do Novo Campus Integrado do INCA".
Menos de dois anos depois, em 25/5/2010, o governo estadual publica o "termo de reratificação ao termo de cessão": nada mais que a assustadora decisão de demolir o prédio. O prórpio INCA contratou a firma de demolição, num processo cheios de óbices por parte do TCU e diversaas irregularidades. Enquanto as associações representantes dos funcionários e usuários buscavam impedir a demolição, o processo continuava.
Seis meses depois, em 26/11/2010, noticia-se a decisão de que “vai fechar as portas dentro de 60 dias. O prazo foi dado pela Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil (Sesdec), que, em 2007, começou a transferir parte de sua estrutura para outras unidades.” (“Hospital Central do Iaserj fechará as portas”. Daniel Brunet. Extra/O globo, 26/11/2010. https://extra.globo.com/noticias/rio/hospital-central-do-iaserj-fechara-as-portas-21044.html).
Era uma unidade que atendia a mais de 9
mil pacientes por mês, com 41 especialidades, capacidade para 400 leitos e com
mais de 100 mil pacientes do SUS cadastrados.
Detalhe: "o hospital foi criado por
meio de uma contribuição mensal de 2% dos salários dos servidores, paga até
aquela data (a partir de 1999, passou a ser direcionada ao Rio Previdência).
Portanto, segundo eles, a unidade não poderia ser desativada sem a aprovação
dos contribuintes."
Essas outras estruturas da rede do
IASERJ, não tinham capacidade para receber os serviços de lá. Nessa data,
dizia-se que: “O prédio será entregue ao Instituto Nacional do Câncer (Inca).”
Decisão de um novo INCA, passou para a
de demolição e a promessa de construção de um novo prédio.
Até hoje, o local é apenas um
estacionamento com chão de areia... e o INCA, hoje, afirma-se, será entregue ao
Grupo Hospitalar Conceição (!!!).
Outro ponto, o acordo de dava em meio a
outras decisões de retirada do governo estadual das atividades de saúde:
“O Instituto de Infectologia São
Sebastião parou de funcionar em 2008 e será entregue ao Ministério da Saúde. A
unidade funcionará dentro do Hospital dos Servidores do Estado, na Gamboa. Já o
Hospital Pedro II, em Santa Cruz, foi interditado após a explosão de um
transformador, em outubro, e passará para a prefeitura.” (“Hospital Central do
Iaserj fechará as portas”. Daniel Brunet. Extra/O globo,
26/11/2010. https://extra.globo.com/noticias/rio/hospital-central-do-iaserj-fechara-as-portas-21044.html).
Não foi por falta de audiência pública
na Alerj. Podemos acessar a Ata da 6ª Audiência Pública da Comissão
de Saúde, sobre o IASERJ, realizada em 31/05/2012. Comissão de Saúde. 6ª
Audiência Pública: http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/compcom.nsf/e36c0566701326d503256810007413ca/fe8bb336f40d1fe283257a6f00757ee5?OpenDocument
A história desse assombroso crime
compactuado entre governo Federal e estadual pode ser acessada aqui no nosso
blogue: https://emdefesadohugg.blogspot.com/2025/05/demolicao-do-hospital-central-do-iaserj.html
Desde então, são realizadas manifestações todos os anos, pelo Movimento de Moradores e Usuários em Defesa do Iaserj/SUS (Mudi/SUS). Veja essa, em memória dos 10 anos do crime: https://sindsprevrj.org/iaserj/
Com a notícia do fatiamento de hospitais
federais, fechamento do HUGG, 12 anos depois, em 18/7/2024, “manifestantes
exigem reparação da destruição do Iaserj e fim da privatização do SUS”. Como
lembrava a matéria
do jornal A Nova Democracia:
“A instituição foi demolida com a
justificativa de que o governo construiria uma nova unidade do Inca, proposta
que na época foi rechaçada pela possibilidade de construir a unidade em outro
terreno. Mesmo assim, o governo demoliu o prédio e nunca construiu o novo
prédio do Inca.”(https://anovademocracia.com.br/12-anos-depois-manifestantes-exigem-reparacao-da-destruicao-do-iaserj-e-fim-da-privatizacao-do-sus/)


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