segunda-feira, 19 de maio de 2025

Intervenção federal na Saúde no Rio de Janeiro (Parte 1)

 

Intervenção federal na Saúde no Rio de Janeiro

A discurso de “crise na Saúde” como desculpa para uma intervenção na Saúde no Rio de Janeiro não é novidade.

A história sempre ajuda a esclarecer interesses e desmascarar discursos. O desconhecimento dos acontecimentos sustenta os discursos oficiais e camufla as verdadeiras intenções.

Vamos seguir com uma série de breves comentários sobre a Intervenção federal na Saúde no Rio de Janeiro.

A municipalização de alguns hospitais da rede federal no Rio de Janeiro é realizada em 1999. Ela ocorria seguindo os princípios de descentralização do SUS, conforme preconizado 10 anos antes na recém promulgada Constituição de 1989. Entre as unidades, entregues para o município no acordo realizado em 1998, entre então prefeito Luiz Paulo Conde a União, estavam Ipanema, Lagoa, Andaraí, Curicica (atual Hospital Municipal Raphael de Paula Souza), Cardoso Fontes, Centro Psiquiátrico Pedro II (o antigo Hospício D. Pedro II, e depois, de  2000 até o seu fechamento em 2021, Instituto Municipal Nise da Silveira) e Instituto Psiquiátrico Philipe Pinel.

 

(foto:Bruno Domingos - 21.mar.2005/Reuters)

1ª parte, em 2005:

Apenas seis anos após a municipalização de alguns hospitais da rede federal no Rio de Janeiro, em 1999, o governo federal decreta “calamidade pública”, em 11/3/2005, e realiza uma intervenção na saúde no Rio de Janeiro, tomando o controle de 6 hospitais, quatro deles federais até 1999.

A intervenção não seria nem para pegar todos os que foram federais, nem apenas os federais. Tudo indicava que um dos objetivos principais era tirar o César Maia da páreo. O espetáculo teve direito até a hospital de campanha improvisado em praças, com atendimento por militares.

O STF julgaria inconstitucional a intervenção nos hospitais que eram municipais antes de 1999 (Hospital Miguel Couto e Hospital Souza Aguiar), apenas considerando legal a manutenção do controle sobre os outros 4 (Hospital Cardoso Fontes, Hospital Geral da Lagoa, Hospital do Andaraí, Hospital de Ipanema).

Segue os links para algumas notícias do monopólio de mídia:

“‘Lula é o imperador do factóide’", diz Maia”. Plínio Fraga Antônio Gois. Folha de São Paulo, sucursal do Rio, 3/4/2005. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0304200512.htm

“César Maia diz que intervenção no Rio é benéfica, mas questiona legalidade”. Folha de São Paulo, 29/3/25. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2903200517.htm

“STF derruba intervenção na saúde do Rio”. Silvana de Freitas. Folha de São Paulo, 21/4/2005. https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2104200501.htm

“Crise nos hospitais provocou intervenção do governo federal”. O Globo, 11/04/2006. https://oglobo.globo.com/rio/crise-nos-hospitais-provocou-intervencao-do-governo-federal-4605530

 

E notícias de órgãos oficiais:

- “Senadores divergem com relação à intervenção na saúde do Rio de Janeiro”. Agência Senado, 13/4/2005. (https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2005/04/13/senadores-divergem-com-relacao-a-intervencao-na-saude-do-rio-de-janeiro)

Curiosa aqui a fala de apoio do senador Marcelo Crivella (PL-RJ), o qual:

“foi enfático: o que interessa à população é que a situação começou a melhorar após a intervenção federal, ou seja, a greve terminou, há mais remédios e os equipamentos médicos reapareceram.”

E de um correligionário do prefeito, o então senador José Agripino (PFL-RN), que:

“indagou se não seria crime de responsabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinar, apenas, a intervenção no Rio de Janeiro, quando o caos na saúde está instalado na maioria dos estados e municípios. Agripino disse que sentia no ar uma atitude política com o objetivo de desestabilizar politicamente o prefeito César Maia, que é do PFL, já que está sendo cotado para disputar a Presidência da República em 2006.”

 

- Aqui, uma discussão jurídica da decisão do STF, da intervenção e seus limites:

“Supremo suspende intervenção em hospitais do Rio”. Vicente Dianezi. Consultor Jurídico, 20 de abril de 2005. https://www.conjur.com.br/2005-abr-20/supremo_suspende_intervencao_hospitais_rio/

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